sábado, 25 de abril de 2009

CBO - CLASSIFICAÇÃO BRASILEIRA DE OCUPAÇÃO

HISTÓRICO DA CBO

A estrutura básica da CBO foi elaborada em 1977, resultado do convênio firmado entre o Brasil e a Organização das Nações Unidas - ONU, por intermédio da Organização Internacional do Trabalho - OIT, no Projeto de Planejamento de Recursos Humanos (Projeto BRA/70/550), tendo como base a Classificação Internacional Uniforme de Ocupações - CIUO de 1968.
Coube a responsabilidade de elaboração e atualização da CBO ao MTE, com base legal nas Portarias nº 3.654, de 24.11.1977 e nº 1.334, de 21.12.1994.
É referência obrigatória dos registros administrativos que informam os diversos programas da política de trabalho do País. É ferramenta fundamental para as estatísticas de emprego-desemprego, para o estudo das taxas de natalidade e mortalidade das ocupações, para o planejamento das reconversões e requalificações ocupacionais, na elaboração de currículos, no planejamento da educação profissional, no rastreamento de vagas, dos serviços de intermediação de mão-de-obra. Desde a sua publicação, a CBO sofreu atualizações pontuais, sem modificações estruturais e metodológicas. Entretanto, uma nova metodologia internacional foi publicada em 1988. Editada em espanhol CIUO 88, em inglês ISCO 88 e em francês CITP 88, sob os auspícios da OIT, a nova classificação alterou os critérios de agregação.
No Brasil, até então, as informações administrativas relativas às ocupações eram codificadas seguindo a estrutura da CBO. Entretanto, os dados censitários e as pesquisas domiciliares seguiam outra nomenclatura. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE possuía uma nomenclatura própria, sem descrições.
A multiplicidade de classificações ocupacionais usadas no Brasil dificultava a comparabilidade entre os usuários de diferentes fontes de informações produzidas no território nacional, com o agravante de dificultar a comparação dessas estatísticas com aquelas geradas em outros países. O trabalho inicial constituiu-se no esforço de articulação entre os órgãos brasileiros que usavam diferentes classificações de ocupação, na tentativa de unificá-las.
Em 1994 foi instituída a Comissão Nacional de Classificações - Concla, organismo interministerial cujo papel é unificar as classificações usadas no território nacional. A partir daí iniciou-se um trabalho conjunto do MTE e o IBGE no sentido de construir uma classificação única.
Para facilitar a execução de um projeto de tal envergadura, a Divisão de lassificação Brasileira de Ocupações - DCBO decidiu modularizar à construção da nova classificação.
Foi construído em trabalho cooperativo entre a Divisão da CBO do TEM e o Departamento de Emprego e Rendimento - Deren do IBGE que resultou na publicação, em 1996, da tábua de conversão que permitiu a comparação entre as estatísticas de ocupação que utilizavam a classificação IBGE 91 e os registros administrativos que utilizam a CBO 94, tais como a Relação Anual de Informações Sociais - Rais, Cadastro Geral de Empregados e Desempregados - Caged, Seguro Desemprego, e as estatísticas internacionais que usam a CIUO 68 e a CIUO 88.
A tábua de conversão compatibilizou apenas os títulos, sem, contudo modificar os critérios de agregação dos grupos ocupacionais, bem como sem refazer suas definições.
O segundo módulo foi constituído pela elaboração e validação da estrutura, já com a alteração de conceitos de agregação, utilizando-se o modelo CIUO 88 com algumas adaptações. Este trabalho foi desenvolvido pelo MTE e o IBGE com apoio de consultoria contratada para este fim.
De posse de uma estrutura como ponto de partida, iniciou-se o terceiro módulo que incluiu a escolha de um modelo de descrição e a organização de uma rede de parceiros para a construção da classificação descritiva. Adotou-se o método Dacum - Developing A Curriculum, adaptando-o para descrever famílias ocupacionais. A descrição-piloto foi feita pelo Senai, no Rio de Janeiro, em 1999, a primeira instituição parceira a ser conveniada. Em 2000 e 2001 foram treinados facilitadores de novos conveniados do MTE - Fipe - Universidade de São Paulo, Funcamp - Universidade de Campinas, Fundep - Universidade Federal de Minas Gerais.
Os trabalhos foram concluídos em agosto de 2002. Além das instituições conveniadas, o MTE contou com os serviços de uma consultoria nacional e com o treinamento dos facilitadores do método Dacum, feito por instituição canadense. Na fase de definição da nomenclatura, contou com a participação de uma perita da OIT.
A grande novidade do processo descritivo em relação à CBO anterior é que cada família ocupacional foi descrita por um grupo de 8 a 12 trabalhadores da área, em oficina de trabalho (ou painel) com duração de três dias, sendo dois dias de descrição e um dia de revisão, por outro comitê, também formados por trabalhadores. Ao todo, foram 1.800 reuniões-dia, em vários pontos do Brasil, com a participação de aproximadamente 7 mil trabalhadores.
A outra novidade foi à mudança de filosofia de trabalho na CBO, a partir do desenvolvimento de sua nova base – de uma publicação ocupacional que era atualizada pontualmente, em um corte no tempo, publicada em papel, passou-se a montagem de uma rede de informações organizada em banco de dados, apoiada por um conjunto de instituições conveniadas que atualiza a base de forma contínua e incrementa novos desenvolvimentos, sob a coordenação do MTE.

Formação da Família

A Tábua de Conversão CBO 94 - CBO 2002 está organizada a partir da ordem numérica das 2.356 ocupações da CBO 94. A cada ocupação da CBO 94 existe uma ocupação correspondente na CBO 2002, sendo que estão grafadas de asterisco (*) as ocupações da CBO 94 que permanecerão apenas para efeito de série histórica, ou porque foram extintas, ou porque as atividades da ocupação foram incorporadas por outra.
A coluna da CBO 2002 indica o código da família em que a ocupação se encontra. Não são listados nesta tábua outros níveis de agregação da CBO, visto que as ocupações de uma família da CBO 94 podem migrar para diferentes famílias da CBO 2002. As ocupações incluídas na CBO 2002 constarão da Tábua de Conversão CBO 2002 - CBO 94.


OCUPAÇÃO DO ADMINSTRADOR

A ocupação de cargos administrativos por profissionais com outra formação acadêmica comprova que administração é a profissão do momento.
Cerca de um terço dos profissionais diplomados que atuam no mercado de trabalho brasileiro é formado por administradores. No entanto, alguns cargos administrativos, principalmente os ligados à área de produção ou que exigem conhecimentos técnicos, não é incomum serem ocupados por profissionais com outra formação acadêmica, em particular engenheiros. Se por um lado, essa realidade mostra que a Administração é, de fato, a profissão do momento, por outro, serve de reflexão. Afinal, se ambas as profissões se notabilizam pelo raciocínio rápido e lógico e pelo trabalho em equipe, onde é que o engenheiro estaria levando vantagem sobre o administrador?
A resposta pode estar na formação de cada um deles. Ou seja, tudo começa na escola. Enquanto o engenheiro é educado para ter uma visão mais específica, concentrada basicamente no desenvolvimento da produção, o administrador adquire um conhecimento genérico de todas as áreas em que poderá vir a atuar em uma empresa. Teoricamente isso poderia fazer a diferença, mas a formação cartesiana do engenheiro leva-o a ser o profissional mais indicado para comandar postos essencialmente técnicos. Dessa forma, administrar para o engenheiro é uma arte que surge de forma empírica, tanto que a maioria parte para especializações fazendo cursos e mestrados de Administração.
Assim, a questão que fica no ar é: as escolas de Administração, mais do que garantir a formação acadêmica de seus alunos, não deveriam prepará-los para o ambiente competitivo? Recentemente um programa desenvolvido pela revista Você S.A., em parceria com a consultoria Korn/Ferry e a Fundação Instituto de Administração (FIA) da Universidade de São Paulo, com a finalidade de saber quem é a nova geração de profissionais que se prepara para comandar as empresas de amanhã, selecionou 20 candidatos entre mil inscritos. Dos escolhidos, 11 fizeram Engenharia. Apenas cinco, Administração.
Está certo que o resultado do programa, que recebeu o nome de CEOs do Futuro (Chief Executive Office), não tem qualquer valor científico. Seu objetivo foi apenas escolher 20 profissionais dentro de um processo que, além das entrevistas de praxe, analisou seis quesitos: qualidade das realizações profissionais; formação acadêmica; experiência em ambiente competitivo; capacidade de operar em várias culturas; visão pessoal e estruturação da carreira; e realizações e atividades fora do trabalho. Mas, novamente, a pergunta fica no ar: por que então o engenheiro estaria ganhando tanto espaço?
De acordo com Flávio Kosminsky, head-hunter da Korn/Ferry e responsável pela seleção dos CEOs do Futuro, a resposta não está nos currículos escolares, mas no conhecimento que cada um adquire, a partir do momento que iniciam suas carreiras. "Os engenheiros geralmente vão para cargos mais próximos do chão da fábrica, ao passo que os administradores vão para funções de espaço, tais como área financeira, controladoria e recursos humanos. Como os engenheiros têm uma visão de operação mais acentuada, a assimilação de toda a logística da empresa é feita de forma mais rápida".
Ainda segundo ele, o crescente envolvimento do mundo dos negócios com a tecnologia favorece esse profissional, cuja formação acadêmica permite que alie conhecimentos técnicos a práticas administrativas.
Comprometimento
Mesmo reconhecendo que o resultado do programa da revista Você S.A. não pode ser visto como representativo, por não ter qualquer rigor científico, o consultor em Recursos Humanos, Laerte Cordeiro, acredita que o fato das organizações buscarem na tecnologia as alternativas que garantam a sobrevivência no mundo dos negócios está contribuindo para que profissionais de outras áreas "invadam" espaços que teoricamente deveriam ser ocupados por administradores.
Ele lembra que, apesar de todos os investimentos que as empresas vêm fazendo para melhorar a qualidade de vida de seus colaboradores, é preciso concordar que o tom predominante em suas estratégias e abordagens tem sido a visão exata, concreta, objetiva e quantificada das coisas. Ou seja, itens que o administrador deve se aperfeiçoar.
Cordeiro também entende que o problema não está na grade curricular das escolas de Administração, mas no grande número de estabelecimentos, que contribui para o comprometimento do ensino. "Sem contar que a maioria dos cursos é noturno, de alunos cansados e de professores cuja dedicação é parcial", finaliza.
A Administração é um dos elos da sociedade
Uma das explicações para o fato de engenheiros "desviarem" suas carreiras para áreas administrativas está na própria cultura de desenvolvimento do País, sempre voltada para a área industrial. A partir do momento em que são admitidos, eles passam a conviver com processos de produção, o que favorece a compreensão de toda a logística da empresa. Dessa forma, são candidatos naturais a administrar as áreas em que atuam.
Nota-se que são cargos em que o administrador poderia não se sair bem por não serem áreas de sua competência. Fazendo uma analogia com um hospital, uma coisa seria ser o seu administrador, a outra o diretor do centro cirúrgico.
Todavia, com o avanço da tecnologia digital verificada nos últimos anos, esse segmento vem perdendo força para as áreas de serviço e, principalmente, para o agronegócio, hoje responsável por cerca de 40% do PIB brasileiro. Ou seja, um campo enorme para ser explorado pelo administrador, único profissional capaz de apresentar um diagnóstico gerencial para que essas áreas se tornem atraentes e produtivas.
Em outras palavras, qualquer afirmação que se faça que o administrador esteja perdendo espaço é infundada. Seria o mesmo que tirar o mérito da Administração, cuja contribuição tem sido responsável pela modernização do mundo atual. Sem ela, as mudanças introduzidas pelos avanços tecnológicos, que tanto contribuem para alterar o comportamento da sociedade, não seriam absorvidos com tanta rapidez.
Dessa forma, o mérito do administrador está em acompanhar essa evolução, o que faz manter vivas as empresas, e promover a integração do homem no espaço em que trabalha. Assim, mais do que um elo de integração, esse profissional vem conquistando inúmeros espaços e oportunidades de trabalho.
Referências
www.mtecbo.gov.br/

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